Fabíola Calixto acessibilidade na web

Acessibilidade digital agora é obrigatória em todos os websites brasileiros

As pessoas com deficiência podem facilmente passar desapercebidas quando se trata de Experiência de Usuário (UX)  nas páginas da internet. Segundo uma pesquisa do W3C (World Wide Web Consortium), apenas 2% das páginas “gov.br” são acessíveis a esse público.

Dados do Censo do IBGE de 2010 apontam que 23,8% dos brasileiros (cerca de 45 milhões de pessoas) possuem algum tipo de deficiência, dos quais 13,1 milhões apresentam grande dificuldade ou impossibilidade de falar, ouvir, enxergar ou se locomover.  Ou seja, uma grande parcela da população tem problemas em ver uma imagem ou escutar um áudio na web. Ainda sobre a população brasileira, cerca de 7,4% tem 65 anos ou mais e cerca de 9,63% não possuem algum grau de instrução.

A Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) passou a assegurar que a informação de uma página esteja disponível para todos, inclusive para pessoas com quaisquer deficiências. Em vigor desde o dia 2 de janeiro de 2016, a LBI garante uma série de direitos aos 45 milhões de pessoas com deficiência que vivem no país [censo de 2010]. Sancionada pela presidente Dilma Rousseff no dia 6 de julho de 2015, a LBI ratifica as garantias de acessibilidade já previstas no Decreto Federal 5.296/04. O texto prevê atendimento prioritário em órgãos públicos e enfatiza políticas públicas para a população com deficiência.

De acordo com a LBI, “é obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente”.

Em entrevista à Revista Exame, Reinaldo Ferraz, desenvolvedor do W3C, explica a importância de eliminar barreiras na comunicação digital. “Barreiras de acessibilidade existem nos dois cenários: uma calçada esburacada é tão problemática quanto uma imagem que não tem um texto alternativo na web, dadas suas devidas proporções. E, em ambos os casos, a responsabilidade é do dono (da calçada e do website). Mas não podemos negar a facilidade que a web trouxe para pessoas com deficiências: É muito mais fácil para uma pessoa tetraplégica comprar uma passagem aérea por um website do que se deslocar até uma loja para esse fim. A web trouxe mais autonomia para pessoas com deficiência, e é essa autonomia que precisa ser preservada no acesso à web”.

O desenvolvedor também ressalta que a acessibilidade digital traz benefícios a todos os usuários da internet, incluindo as pessoas com deficiência. “Em algum momento da nossa vida, vamos precisar que as páginas web sejam acessíveis: ao utilizar um dispositivo móvel na rua, por exemplo, páginas com baixo contraste entre fundo e texto podem dificultar a leitura. Vale ressaltar que a nossa geração será usuária da web quando se tornar idosa. Se não cuidarmos da acessibilidade das páginas que desenvolvemos hoje, nós mesmos podemos ter problemas para acessa-las daqui a 30 ou 40 anos, quando nossa visão, audição e destreza motora for reduzida”, afirma Reinaldo. Não podemos esquecer as pessoas idosas e de baixa escolaridade, pois são dois grupos também favorecidos com as iniciativas de acessibilidade digital. Segundo dados da Pesquisa TIC Domicílios 2013, dos 69,9 milhões de pessoas que nunca utilizaram a internet, 70% alegam que não usam por falta de habilidade.

Pesquisadora em Tecnologia Assistiva e Pessoa com Deficiência Visual, Fabiana Bonilha explica como a acessibilidade na web pode transformar a vida de quem não pode enxergar: “A informação é muito importante para todos, mas principalmente às pessoas com deficiência visual, porque nós  precisamos ter acesso a todo o conteúdo da página e a maneira de como essas informações estão disponibilizadas. Se  uma página não é acessível nós perdemos uma parte do conteúdo, como por exemplo, uma imagem sem descrição.  Por isso a acessibilidade é muito mais que um conjunto de normas e recomendações, ela transpõe barreiras atitudinais. Espero que todas as pessoas tenham acesso a tudo o que é oferecido na internet”, ressalta Fabiana.

Para Leandro Leite, Pesquisador em Tecnologia Assistiva, a acessibilidade digital é essencial, pois facilita a vida de uma pessoa que não pode ouvir. Ele menciona que recursos como legendas nos vídeos, intérprete de libras ou até mesmo aplicativos que convertem textos para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), são fundamentais para o acesso pleno a informação nas páginas web.

 

Leandro Leite utilizando o computador com o apoio de aplicativo em libras
Foto: Leandro Leite utilizando o computador com o apoio de aplicativo em libras

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